domingo, 8 de junho de 2014

VAMOS DEIXAR BEM CLARO, RICHARD STRAUSS NÃO ERA NAZISTA


Richard Strauss é um imortal da Música. Fazem agora 150 anos de seu nascimento e como é moda atualmente, tem-se que remexer nos "lados negros" das biografias


o famoso retrato de Strauss, por Max Liebermann
.                   Mas acho que quem não viveu aquela época pode ter muita facilidade para tentar julgar. Richard Strauss comprovadamente não era anti-semita, há farta literatura, cartas suas, depoimentos, tanto que bateu pé para colocar o nome do seu libretista Stefan Zweig na ópera "A Mulher Calada" e por isso sim é que foi obrigado a renunciar a um alto cargo e passou a ser um "maldito" para o regime hitlerista desde então, sendo apenas tolerado, aceito a contra-gosto tendo em conta que era o maior músico alemão vivo e um dos maiores da história da música alemã em todos os tempos. Eram tempos odiosos, de dar pânico, vejam vocês que o jovem pianista Karl-Robert Kreiten foi executado pela Gestapo por, numa conversa com amigos, ter falado mal de Hitler. A esposa do filho único de Richard Strauss era judia e foi exatamente para tentar agradar aos hitleristas e ganhar simpatias de novo que compôs o hino das Olimpíadas de Berlim, por sinal muito bonito.., Ele inclusive renunciou aos direitos financeiros e de autoria. Mas não adiantou muito, uma vez maldito para os nazistas, sempre maldito. Strauss foi proibido de deixar a Alemanha em 1943, e virou prisioneiro de luxo do regime. Se Richard Strauss fosse realmente um mau caráter nazista, não teria sido convidado por Sir Thomas Beecham em 1948, no pós-guerra, para reger concertos na Inglaterra. Esse convite soa para mim como uma imensa absolvição de qualquer coisa que se levante contra Richard Strauss com relação ao nazismo. Página virada. . O fato é que muitos fugiram da Alemanha naqueles tempos sombrios, outros tiveram a coragem de ficar. Eu acho particularmente que Richard Strauss começou a ser detestado pelos nazis quando, em 1938, apresentou sua ópera Friedenstag em Munique, a qual continha um apelo pacifista enorme, que contrariava a política do regime. Depojs aconteceu o incidente com a ópera com o libreto de Stefan Zweig. Acredito que Richard Strauss, um homem apolítico e de modo algum racista, foi uma vítima do regime, como a maioria do povo alemão, prisioneira de uma organização criminosa. Ele deve ter sofrido muito enquanto via sua amada Alemanha ser destruída, primeiro pela política do bando nazista, e depois pelas bombas aliadas. Restou-nos sua obra imortal, das mais expressivas e belas da história da música

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