sexta-feira, 24 de julho de 2015

AS ARANHAS


Ao tirar um quadro da parede hoje fui surpreendido por uma aranha que estava por ali, acredito, há uns três ou quatro anos... Lá estavam as casquinhas de todas as fases de seu crescimento, pelo menos umas quatro delas, cada uma de um tamanho, desde o mais pequenino até o mais grandote... Mas havia também os sinais de suas refeições macabras nesse período, dezenas e dezenas de corpos martirizados de suas vítimas mortas em cruel agonia. O mundo dos animais é cruel e assustador. Formigas, vespas, moscas, mariposinhas, mosquitos, cada um deles ali atrás do quadro envolto nas teia finíssimas, uma história de horror e suplício. Por alguma associação natural meu cérebro conduziu essa imagem terrível para a situação do Brasil de hoje. Vi aquela aranha transformada em político seboso e insensível, num empresário dessas empresas gigantescas especialistas na arte da propina. Eles são como aranhas predadoras à cata não de moscas, formigas, mariposas, mas de dinheiro, seu alimento... As teias são montadas nesses esquemas monstruosos em bancos e doleiros pelo mundo todo. E nós somos as suas vítimas. Mas não estamos na teia atrás do quadro mas sim nos hospitais, jogados nos corredores pela falta de recursos e o descaso. Não estamos na teia atrás do quadro mas estendidos exangues nas ruas, vítimas dos tiros e facadas do narcotráfico, da falta de civilidade, de educação.... Não, não estamos nos palpos daquela aranha do quadro, mas nos desses assassinos indiretos que estão por toda parte, milhares e milhares deles qual imensas aranhas sequiosas de dinheiro. Com um pano úmido liquidei de uma só vez com aquele quadro mórbido. Varri-o de minha vista. Mas o Brasil... o Brasil precisará de muito mais...

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