terça-feira, 3 de janeiro de 2017

A TRAGÉDIA DO CANCELAMENTO DA OFICINA DE MÚSICA DE CURITIBA


À medida em que o tempo vai passando, consolidado o desastre cultural e educacional do cancelamento da Oficina de Música de Curitiba, a gente vai tirando umas conclusões. A primeira que me passa é a de que o Sr. Rafael Greca de Macedo não tinha a menor ideia da grandeza da Oficina e das consequências de seu ato ditatorial. Eu compareci a quase todos os eventos das Oficinas nesses 34 anos (tenho as gravações em vídeo de mais de 200 concertos dos últimos 15 anos), não só de música clássica,mas os de música popular. Eu, Osvaldo Euclides Aranha, Magali Antunes Maciel Aranha, Ragnhild Borgomanero somos alguns dos que curtem os dois lados da oficina, o popular e o chamado erudito. Pois bem, eu NUNCA VI o Sr. Rafael Greca de Macedo em um concerto, em um evento, aliás nunca o vi em qualquer concerto em qualquer sala de Curitiba. Ele deve ter ido em algum mas o que eu quero dizer é que o novo alcaide da cidade não é frequentador, não é ouvinte da música clássica (pelo menos ao vivo), não é admirador da arte de Johann Sebastian Bach. Isso explica também a enorme confusão que fez em diversos discursos tentando justificar o injustificável cancelamento do evento. Num deles fala em "pavanas" para tentar diminuir, menosprezar a música em favor da saúde. As pavanas eram danças dos tempos antigos, quando nem Curitiba existia, que o nobreza dos tempos de Shakespeare e dos Médici dançava. Nada com a realidade de nossa Oficina de Música, feita para educar 2000 jovens para um oficio, para o exercício da cidadania. A música não é diletantismo, a música eleva o espírito das pessoas mas também DÁ DE COMER PARA OS QUE COM ELA TRABALHAM. Noutra passagem de suas perorações ele cita a Sra. Ingrid Müller Seraphim, uma das fundadoras da Camerata Antiqua de Curitiba, convocando-a para doar seu cachê para a saúde. Ora, não sabe ele que a querida Ingrid já está aposentada ? Que não se deve desrespeitar as pessoas assim ? O que tem a ver o cachê de um músico, fruto do seu trabalho árduo, com os dramas da saúde, causados por gente ladra, incompetente e politiqueira que assola este nosso país ? O drama da saúde é nacional e os músicos não têm participação nessa tragédia. Misturar as coisas é jogar de modo rasteiro com a demagogia e com o populismo em cima de pessoas que em sua ingenuidade ou interesse aceitam esses argumentos. Mas citar nome de pessoa honrada nessa trama, isso é inaceitável.
Por isso acredito que o Sr. Rafael Greca precisa urgentemente de assessores, de conselheiros. Gente que não tenha receio de lhe dizer verdade e que tenha energia para tirá-lo de caminhos autoritários pois, como se vê, nem tudo em nosso alcaide é cultura, nem tudo é luz, nem tudo é informação. Ele talvez precise se atualizar, descobrir que a música hoje em dia é fonte de trabalho, renda, inclusão, felicidade para as famílias. Música não é só "lazer", música é exercício de cidadania.

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